domingo, 11 de outubro de 2009

Final Fantasy Tactics Advance - GBA

A maior surpresa de "Final Fantasy Tactics Advance" é, provavelmente, o fato de ser o primeiro jogo da Square para um videogame da Nintendo em oito anos. Mas fãs do game que carregava o mesmo nome no PlayStation (que, por sua vez, era um projeto alternativo da empresa usando recursos de "Tactics Ogre") chega bastante diferente no portátil Game Boy - e isso não quer dizer que o game apenas ficou menor.

Enquanto o game original se apoiava em uma das mais complicadas tramas de golpe de estado, arremessando dezenas de nomes de figuras políticas, grupos terroristas, líderes religiosos e referências suficientes para exigir um glossário dentro do próprio game (e ainda assim deixar a maioria dos jogadores coçando a cabeça metade do tempo), a edição "Advance" tem pretensões menores: quatro jovens crianças que vivem em um mundo como o nosso são trazidas para um fantástico reino repleto de magia, monstros e muito heroísmo através dos poderes do que parece ser um livro mágico. Através de inúmeras aventuras essas crianças aprendem a lidar com seus problemas do mundo real.

Crianças no comando

Para os fãs de RPGs convencionais o desenvolvimento dos protagonistas é extremamente bem desenvolvido - especialmente levando em conta que você nunca controla os protagonistas fora dos combates estratégicos. Mesmo assim, é impossível não simpatizar com o tímido Mewt, a forte Ritz, ou Marche e seu irmão doente. Apesar da premissa aparentemente infantil, os temas tratados devem criar alguma reação em jogadores de qualquer idade.

Mas quando esses garotos não estão nas cenas não-interativas que desenrolam a história, eles estão buscando fama e fortuna pelo reino de Ivalice. Lá, guerreiros se juntam em clãs, que procuram missões em bares e viajam pelo Estado enfrentando todo tipo de perigo. Cada missão vencida resulta em itens, dinheiro, experiência e fama - essa última ajuda na hora de recrutar mais membros, o que permite ao clã enfrentar desafios mais pesados.

Às armas!

Cada batalha exige que o jogador selecione um pequeno grupo de integrantes do clã e os coloque em um campo quadriculado para enfrentar outro clã ou grupo de bandidos. Cada participante pode receber e executar ordens em função do seu coeficiente de prontidão: cada um é alinhado em uma ordem crescente e devem, um por um, realizar seus movimentos e comandos de combate.

Mas além de levar em conta suas posições relativas nesse campo tridimensional, o título do GBA traz uma novidade: leis. Cada uma das arenas traz leis que proíbem certas ações e recompensam outras. Em alguns casos é proibido usar itens ou atacar com espada, e o uso de determinadas habilidades ou magias é recompensado. Infringir essas regras pode render um cartão amarelo ou, muito pior, um cartão vermelho. Caso receba um desses, o lutador é tirado de campo e levado para a cadeia, onde sai depois de cumprir a pena e pagar uma fiança. Essa novidade, somada à opção de usar cartas que removem ou adicionam regras, cria uma nova camada de estratégia ao jogo.

O sistema de experiência é o mesmo utilizado no jogo de mesmo nome para PlayStation e uma mistura dos de "Final Fantasy V" e "IX": cada jogador pode trocar de classe sempre que está fora de combate. Certas classes, ao equipar determinados itens, ganha acesso a certas habilidades. No final da batalha pontos são conferidos ao vencedor, que pode aprender permanentemente a habilidade, e então trocar de item ou classe para memorizar novos truques. Ao aprender um determinado número de habilidades de uma classe, novas versões da mesma são liberadas. O sistema é funcional e permite uma profunda personalização dos combatentes.

O clã, assim como seus integrantes, também influencia o desenrolar do jogo. Além de níveis maiores trazerem melhores ofertas de membros e melhores missões, em um determinado momento seu clã começa a lutar pelo controle de Ivalice, adicionando ainda mais estratégia à mistura.

Obra de arte padrão Square

A produção do jogo é excelente, e apesar de ser um jogo portátil, "Tactics Advance" não deve em nada em sua apresentação artística. Cada fundo de tela é extremamente detalhado (algo impressionante para um aparelho preso em uma tela com pouca resolução) e as músicas são belas e acompanham bem a ação. Em suma, a típica qualidade que se espera da apresentação de um jogo da Square.

Um detalhe quase remendado no game é a criação do reino de Ivalice. Ao atingir certos pontos da trama, jogadores ganham novas cidades e pontos geográficos, que podem ser colocados em qualquer lugar do mapa - uma opção que parece ter sido tirada diretamente de "Legend of Mana". Só que desta vez ela não parece estar ligada à trama (talvez pelo fato de Ivalice ser um mundo imaginário?), mas influencia um aspecto do game: ao colocar seu primeiro ponto, você é avisado que isso resultará em diferentes itens em uma caça ao tesouro. Só que as dicas disso são dadas, muitas vezes, DEPOIS da colocação do lugar. É verdade que isso é apenas mais um de uma longa lista de razões para jogar "FFTA" repetidas vezes, mas parece um descuido na produção.

Esse não é o único defeito. Outros pequenos erros parecem quase idiotas quando se leva em consideração o grau de acabamento do todo. Equipar itens é um sufoco: ao trocar de classe, todos os itens são removidos, já que cada classe tem uma compatibilidade de acessórios. E ao escolher itens para troca, o jogo não disponibiliza uma boa tela para comparar as diferenças de ataque e defesa de cada um deles.

Poké-Tactics

A opção de conexão com o cartucho de outros jogadores, por outro lado, é impecável: é possível enfrentar clãs de outros jogadores, unir-se a eles para enfrentar certas mini-missões, ou até trocar membros dos times e itens.

"Final Fantasy Tactics Advance" é um dos melhores jogos de estratégia do gênero, e apesar de dever muito a "Tactics Ogre" (cuja equipe deve ter ajudado bastante, visto que a Square comprou a empresa), é um excelente título por mérito próprio e merece a atenção de todos os donos de Game Boy que gostam do gênero.





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