sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Final Fantasy: Crystal Chronicles

Depois de anos sem lançar um jogo para consoles da Nintendo, a Square finalmente marcou sua volta com um RPG multiplayer (que carrega o nome "Final Fantasy", ainda por cima") para o GameCube. Mas ao invés de seguir os tradicionais elementos que popularizaram a série a empresa virou a fórmula de cabeça para baixo e criou algo diferente - e definitivamente único - apoiando-se no cânone da série.

Apesar de permitir que uma pessoa jogue sozinha, esse definitivamente é o jeito errado de aproveitar todo o esforço colocado na produção do game. "Crystal Chronicles" é um dos primeiros jogos a explorar de fato a conexão entre Game Boy e GameCube, exigindo que todos os jogadores da modalidade multiplayer usem o portátil como controle - uma decisão que causa controvérsia, mas que tem fundamento.

Uma fantasia diferente

Antes de mais nada, é importante ressaltar que fãs da série "Final Fantasy" que esperam personagens com passados turbulentos, muitos filmes de computação gráfica e um enredo complexo vão ficar extremamente surpresos (se não decepcionados): essa nova aventura segue uma mecânica parecida com a de "Phantasy Star Online", colocando até quatro participantes em uma batalha com elementos de ação, exploração e muita cooperação.

A mecânica desse novo game é intimamente ligada à trama: uma névoa venenosa tomou conta do mundo, ilhando as pessoas em cidades protegidas por cristais. Mas essas jóias precisam ser "recarregadas" anualmente com gotas criadas por árvores mágicas. Quatro jovens são escolhidos em uma cidade para participar de uma caravana que viaja em busca desse líquido. O cálice utilizado para recolher as gotas cria um campo de força que protege a caravana - e precisa ser carregado por um dos membros, que não pode atacar, se defender ou pegar itens, mas pode soltá-lo ou passá-lo para outra pessoa.

A jornada começa

Jogadores devem escolher quatro guerreiros, selecionando sua raça e a profissão de seus pais, para então explorar diferentes mapas em busca da árvore - que é guardada por um chefe. Como qualquer personagem pode ser incluído na aventura em qualquer ponto, o game não conta com um sistema de experiência. Ao invés de ganhar níveis, os heróis são recompensados no final de cada fase por completar um desafio específico, conferido aleatoriamente. Todos os itens que aumentam energia, conferem magias permanentes ou aumentam outros atributos são escolhidos na ordem de quem conseguiu o melhor "placar". Com exceção desses raros anéis, as magias são concedidas por pedras que só conferem seu poder por uma fase, mas podem ser trocadas como o balde.

Com todas essas peculiaridades, "Crystal Chronicles" exige altas doses não só de cooperação, mas de coordenação. Um número maior de jogadores também oferece outros extras: uma pessoa ganha um mapa de tesouros, um do layout da fase e assim por diante. Jogar com quatro pessoas chega a ser até um tanto confuso, graças em grande parte à falta de botões e excesso de menus do Game Boy (mas vale a pena ressaltar que, enquanto você opera os menus no portátil, seu personagem continua andando sozinho com o grupo, apesar de não atacar e se defender). Aprender todas as nuances do game pode levar mais de uma hora, especialmente para quem não tiver total domínio do inglês.

A quantidade de mini-games e pequenas atividades espalhadas pelo jogo é impressionante, variando de missões de coleção como encontrar todas as etiquetas de Moogles escondidos até escrever cartas para sua família. Esses pequenos toques dão uma cara única ao game e aumentam sua longevidade.

Se não fosse pelo complexo sistema de controle, "Crystal Chronicles" seria o "Mario Party" dos RPG - uma divertida opção de multiplayer que pode ser iniciada sem compromisso. O preço de admissão para essa modalidade é alto devido à exigência do GBA com cabo de conexão, mas vale a pena para os fãs do gênero que buscam algo único.


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